Aniversário Fidel Castro

Fidel Castro completa 86 anos com discrição e sem grandes comemorações

Infolatam/Efe
Havana, 13 agosto 2012

Las claves

  • Um dos poucos atos públicos para festejar a data foi protagonizado por centenas de crianças no Palácio Central dos Pioneiros Ernesto Che Guevara, em Havana, onde cantaram músicas dedicadas ao líder cubano e cortaram um grande bolo de cor azul com a mensagem "Felicidades Comandante".

O ex-presidente de Cuba Fidel Castro completou 86 anos nesta segunda-feira sem grandes celebrações públicas e com certa indiferença da população da ilha, mas sendo recordado pela imprensa oficial e por alguns líderes internacionais aliados.

Passados seis anos desde que deixou o poder devido a uma grave doença, o aniversário do homem que governou Cuba durante quase meio século esteve marcado pela discrição, como foi a tônica nos últimos anos.

Um dos poucos atos públicos para festejar a data foi protagonizado por centenas de crianças no Palácio Central dos Pioneiros Ernesto Che Guevara, em Havana, onde cantaram músicas dedicadas ao líder cubano e cortaram um grande bolo de cor azul com a mensagem “Felicidades Comandante”.

Também nesta segunda-feira será inaugurada na capital cubana a exposição “Com todos os sentidos”, formada por 13 imagens de destacados fotógrafos cubanos que foram modificadas artisticamente por vários pintores locais.

Na imprensa local (todos oficiais) se lembrou o 86º aniversário de Fidel Castro ao informar das felicitações enviadas por presidentes aliados como o boliviano Evo Morales ou com reportagens na televisão sobre sua casa natal em Birán, na província oriental de Holguín.

Além de Evo Morales, outros governantes de países aliados de Cuba enviaram mensagens a Fidel Castro, como o nicaraguense Daniel Ortega e o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich.

Também foram divulgados na imprensa local artigos, algum deles sem sequer mencionar a idade que completa o ex-presidente, como o caso do jornal “Granma” que se limitou a recolher opiniões (todas elogiosas) de cubanos famosos sobre o líder da Revolução Cubana.

Na rua alguns cubanos consultados pela Agência Efe mostraram indiferença – principalmente os jovens – pelo aniversário, enquanto os mais velhos tiveram palavras de elogio para o “comandante”.

“Para mim pessoalmente há muito tempo que não me diz nada”, disse à Efe Elmer, um jovem cubano de 24 anos, enquanto Yamileidi, um estudante de 13 anos, confessou que não se lembrava da data, embora tenha ressaltado que Fidel é uma figura “muito importante”.

Teresa Sánchez, professora aposentada de 66 anos, salientou que, graças ao ex-presidente, ela e seus irmãos puderam estudar e formar-se em universidades, mesmo sendo de uma família pobre.

“Ele pode ter cometido erros, mas e daí? O ser humano não comete erros? Penso que os mal-agradecidos falam das manchas e os agradecidos falam da luz”, declarou.

Rafael, um trabalhador da construção civil de 72 anos, não poupou elogios: “Tudo o que se disser dele é pouco como ser humano e os princípios pelos quais lutou. Desejo muitos anos mais de vida para que possa seguir lutando pelo bem da humanidade”.

Fidel Castro completou 86 anos retirado da cena pública salvo poucas aparições esporádicas no último ano e com quase dois meses sem publicar suas famosas “Reflexões”, os artigos de imprensa que começou a escrever durante sua convalescença.

Nas nove últimas (divulgadas entre os dias 10 e 19 de junho), ensaiou um formato que surpreendeu por seu tamanho (apenas um parágrafo) e por seus temas: desde elogios a Erick Honecker, ex-presidente da extinta República Democrática Alemã (RDA); críticas ao dirigente chinês Deng Xiaoping e até propostas para resolver os problemas alimentícios com a milagrosa planta da “moringa”.

Desde que em 2006 adoeceu e delegou a seu irmão Raúl as rédeas do país não cessaram as especulações sobre o papel que o velho líder da revolução cubana desempenha na ilha apesar de sua retirada.

“Para mim é óbvio que segue mandando”, opinou hoje à Efe o dissidente Elizardo Sánchez, da Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN), em alusão a uma recente entrevista do presidente da Assembleia da ilha, Ricardo Alarcón, ao jornal espanhol “El País” onde assinalou que “todas as coisas fundamentais são consultadas com o comandante-em-chefe”.

No entanto, Sánchez considera que muita gente na rua considera Fidel Castro “um símbolo do passado”.

Outros como o economista e político Óscar Espinosa acreditam que Fidel “deixou de exercer o papel que exercia” e que muitos dos programas e políticas que ele desenvolveu “foram desaparecendo” durante a gestão de Raúl Castro.

“Tenho a impressão que muitos cubanos o relacionam com um tempo que já passou”, comentou Espinosa.

Também na rede social Twitter alguns blogueiros cubanos lembraram o aniversário de Fidel: no caso dos governistas para felicitá-lo e no caso dos críticos como, Yoani Sánchez, para ressaltar que “não se percebe na rua nenhum entusiasmo popular” pela data.

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