Bolivia conflitos

Bolívia: ordenam detenção de líderes indígenas que defendem parque natural

Infolatam/ Efe
La Paz, 9 agosto 2012

Las claves

  • Um dos focos de conflito está na comunidade de Gundonovia uma das portas de ingresso ao Tipnis, onde os indígenas estenderam arames sobre os rios para impedir a circulação dos grupos de consulta no lugar.

A Promotoria da Bolívia ordenou a detenção de líderes indígenas que defendem a reserva natural do Tipnis ante a construção de uma estrada impulsionada pelo presidente Evo Morales e os acusou de não prestar contas de recursos supostamente recebidos para investir na zona, confirmou hoje o Governo.

O ministro de Obras Públicas, Vladimir Sánchez, disse aos meios que a ordem é contra vários dirigentes indígenas, entre eles Fernando Vargas, um dos líderes principais das etnias dos Tipnis, além de Fernando Moye e Marcial Fabricano.

Os três se opõem frontalmente à construção da estrada através do Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), uma reserva ecológica do centro do país, de 1,2 milhões de hectares e onde vivem 14.000 nativos.

Sánchez disse que essas pessoas estão no Tipnis para gerar “conflitividade” e não responder à justiça sobre “os recursos que lhes transferiu o Governo” da região amazônica de Beni.

Os dirigentes promovem a rejeição a uma pesquisa que realiza o Governo entre 69 comunidades do Tipnis para validar a estrada que pretende construir no território amazônico.

O dirigente Vargas, quem se encontra na cidade amazônica de Trinidad, disse hoje ao canal de televisão Cadena A que se trata de “uma perseguição política” porque defendem o parque natural.

Vargas acusou Morales de mostrar “seu poder, sua prepotência” com as ordens de detenção contra quem recusa as “violações dos direitos humanos e dos direitos dos povos indígenas”.

“Se quer me meter na cadeia, que me metam, mas que metam todos os indígenas do Tipnis e todos os bolivianos que nos opomos à destruição deste patrimônio”, sustentou o dirigente.

O Governo assegura que a posição de rejeição à estrada é minoritária e que 18 de 19 comunidades que já foram consultadas em Tipnis aceitaram a obra rodoviária, ainda que Vargas replica que as comunidades contrárias são dezenas.

Um dos focos de conflito está na comunidade de Gundonovia uma das portas de ingresso ao Tipnis, onde os indígenas estenderam arames sobre os rios para impedir a circulação dos grupos de consulta no lugar.

A informação sobre as ordens de detenção se conhecem no mesmo dia em que se celebra em O Dia Internacional dos Povos Indígenas, este ano centrado no trabalho de meios de comunicação criados por esses povos para combater estereótipos e projetar ao mundo sua identidade e aspirações.

Traduzido por Infolatam

Comente sobre este artigo

 

Mudar para a versão móvel