Carlos Chacho Alvarez: América Latina CELAC

O desafío de CELAC

Infolatam
Costa Rica, 6 agosto 2012
Por Carlos Chacho Álvarez

Nos dias 16 e 17 de agosto, por mandato dos Presidentes dos trinta e três países latino-americanos que conformam a CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) reunir-se-ão na ALADI a totalidade dos organismos de integração da região, quais sejam, ALADI, ALBA, CEPAL, CAN, CARICOM, MERCOSUL, SELA, SICA, UNASUL, etc.

A missão é duplamente transcendente. Por um lado, trata-se de debater iniciativas, sobretudo no âmbito econômico-comercial, que deem conteúdo ao tão postergado objetivo da unidade latino-americana. E, por outro, demonstrar que é possível articular agendas, programas e visões entre os diferentes organismos sub-regionais, superando a fragmentação, a dispersão de esforços e a duplicação de tarefas.

Estruturar uma agenda comum e conformar uma coordenação das principais temáticas regionais é fundamental para avançar com mais legitimidade social e eficácia no processo de integração. Problemas e preocupações que são de tratamento compartilhado em nossa região, como o aumento do comércio intra-regional, a modernização da infraestrutura, a integração energética, a defesa dos recursos naturais, o combate à mudança climática, a segurança alimentar, a construção da cidadania latino-americana e o livre trânsito das pessoas, os sistemas de pagamentos em moedas locais, a relação com a Ásia-Pacífico e especialmente com a China, a cooperação cultural e as políticas sociais, de saúde, educação e meio ambiente conformam um grupo de opções que devem ser alinhadas e harmonizadas em programas comuns.

Para tanto, é necessário e imprescindível inaugurar um mecanismo que integre esses problemas, podendo, assim, gerar elementos para que a CELAC possa avançar, selecionando os temas que os países considerem centrais na agenda latino-americana.

Contar com um mecanismo que reúne os trinta e três países latino-americanos é um grande desafio para todos nós, visto que, há tempo, foi naturalizada a ideia da América Latina somente como um espaço cultural, uma comunidade de origem, que dificilmente possa transitar conjuntamente para um futuro compartilhado.

É verdade que temos uma realidade diversa e modelos de desenvolvimento e de inserção internacional muito diferentes. Mas, precisamente, trabalhar cooperativamente sobre esta pluralidade de opções é o grande desafio de nossa época. Em um mundo incerto e volátil protagonizado por macrorregiões, a América Latina e o Caribe podem e deveriam ser um dos protagonistas ascendentes de outra globalização diferente da atual, uma civilização que coloque a pessoa no centro, a produção e o trabalho acima da especulação financeira e do hiperconsumo e a justiça social como paradigma de um sistema mais humano e compatível com o desenvolvimento sustentável.

(*) Secretário-Geral da ALADI

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