Dois jornalistas, o antikirchnerista Lanata e o kirchnerista Victor Hugo Morales, incendeiam a Argentina
Infolatam
Madri, 6 de agosto de 2012
Las claves
- Lanata acusa Morales de vínculos com a ditadura uruguaia.
(Especial para Infolatam por Rogelio Núñez)-. O kirchnerismo, como em teve o peronismo, tem uma natural tendência a dividir e polarizar a sociedade. Nessa tendência acaba arrastando todos os setores. A atual briga entre dois jornalistas na Argentina, Jorge Lanata e Víctor Hugo Morales, contém muitos elementos dessa polarização.
Victor Hugo Morales é um antigo narrador esportivo, famoso por chamar Maradona de “barrilete cósmico” em 1986, transformado agora em jornalista político. Teve uma relação descontínua com o kirchnerismo. Foi um crítico feroz durante a briga de Cristina Kirchner com o campo em 2008, mas se converteu no primeiro defensor das leis kirchneristas como a de Meios e do programa “Futebol para Todos”. Atualmente, tem um programa na rádio Continental e outro no Canal 9.
Jorge Lanata é um dos jornalistas mais importantes da Argentina com uma trajetória bem mais coerente, sempre foi crítico do kirchnerismo (“me colocaria contente se alguém do Governo fosse preso”). Agora dirige um programa de televisão que emitido nos domingos, Jornalismo para Todos (“PPT”), onde se intensificam os ataques contra o atual governo.
O início de uma batalha
Há pouco mais de um mês, Lanata, o ex-diretor do Página 12, foi bem mais contundente quando se dirigindo à própria presidenta lhe disse: “você é patética quando trata de tampar o vento com a mão, quando acha que seu poder vai durar sempre, em um edifício que cambaleia de mentiras”.
Com esses precedentes, a polêmica entre ambos se iniciou quando Lanata assegurou que Víctor Hugo Morales, durante a ditadura uruguaia, jogava futebol em um centro clandestino de detenção em Montevidéu, Uruguai.
O fez ao citar informação que aparece no livro “Relato Oculto, Las desmemorias de Víctor Hugo Morales”, escrito por Leonardo Haberkorn e Luciano Alvarez.
O analista Luis Majul aponta no jornal La Nación que na realidade, Lanata “reproduziu uma informação que agora é pública e incontrastável: Morales passava suas horas livres com amigos militares na época em que torturavam, assassinavam e desapareciam pessoas no Uruguai. Para dizer sem rodeios: o comunicador não teve um passado heroico, como ele mesmo sugeriu mais de uma vez. Os dados, como sempre acontece, serviram para pôr as coisas em seu lugar”.
Víctor Hugo Morales, quem no programa de Lanata era visto se despedindo com afeto de um dos responsáveis pelo denominado batalhão Flórida do exército uruguaio, que foi um centro de detenção, não duvidou ao responder de forma muito dura.
Vinculou Lanata com o Grupo Clarín e com Mauricio Macri ao assegurar que Lanata daria “a última etapa de sua vida a (Héctor) Magnetto” e se “ficasse com as trompas de Botox, os pibes (meninos) de Pro, a Sociedade Rural, Clarín e Monsanto”, enquanto ele escolhia se combinar com “a estatização das AFJP e Aerolíneas, a atribuição universal, o Futebol para Todos e os 10 milhões de pesos que me deram”.
A seguir, Lanata reafirmou o conteúdo do relatório televisivo: “mente quando se inventa um passado. Não é o único que mente. Nestes 10 anos passou batido… É o relator do relato, goste ou não, se converteu nisso… Há gente que hoje inventa um passado que não teve. Sejam os Kirchner, Alicia Kirchner…, poderiam evitar tudo isto, não?”, se perguntou Lanata.
Morales, que recebeu o apoio de Hebe de Bonafini, teve um gesto muito feio quando insinuou que Lanata tinha graves problemas de saúde: ”Lanata, [você] está dando a vida por [Héctor] Magnetto. Não é fácil para você fisicamente. Parece que se arrastará um pouco. Que não respirará bem. Dizem que [você] tem que andar com aparelhos às vezes”.
Morales já pediu desculpas e retificou suas próprias palavras: “eu dizia que de alguma maneira ele estava dando essa vida por alguém, mas não tive nenhum afã, nem sequer irônico que ele mesmo havia utilizado. Se não se entendeu que era uma questão referente também a isso, peço desculpas”.
Luis Majul lembra que “em junho de 2011… expliquei, por exemplo, de que maneira apresentava suas viagens a localidades da província de Buenos Aires como uma decisão altruísta, de “un hombre de pago chico”, quando na realidade se tratava de contratações pagas pelas que não apresentava as faturas correspondentes. Precisei que quase todas as visitas rendidas correspondiam a distritos de intendentes identificados com o “Frente para a Vitória”.
O incidente entre Lanata e Morales pode parecer uma anedota, mas mais que isso é na realidade um sintoma de uma sociedade polarizada e divida como a argentina- entre kirchneristas e antikirchneristas.
Traduzido por Infolatam























