América Latina e a Produção de Cocaína
Infolatam
México, 05 de agosto de 2012
Por Rubén Aguilar Valenzuela
A produção potencial de cocaína a nível mundial foi de 785 toneladas métricas em 2011 e delas 195 corresponderam à Colômbia, 265 à Bolívia e 325 a Peru, que se converte no mais importante produtor dos três países, segundo o Escritório para o Controle de Drogas do governo dos Estados Unidos.
De acordo com esta versão, a produção colombiana se reduziu em 25 por cento ao passar de 300 toneladas em 2010 a 195 em 2011. Não é o dado do Escritório de Nações Unidas contra a Droga e o Delito (UNODC, por suas siglas em inglês), que sustenta que só diminuiu em 1,4 por cento ao passar de 350 toneladas métricas em 2010 a 345 em 2011.
As duas instâncias coincidem em assinalar que cai a produção da Colômbia, mas os valores diferem radicalmente. Primeiro, se conheceram as cifras da UNODC e uma semana depois a do governo estadunidense. Há um real confronto entre estas duas dependências como assinala o Escritório em Washington para Assuntos Latino-americanos (WOLA).
A UNODC diria com seus números que o Plano Colômbia não foi tão exitoso como se prega e o governo de Estados Unidos, que o financiou, que sim. As únicas instituições que a nível mundial oferecem estimativas de produção são estas duas instâncias e é evidente que existe discrepância entre elas.
A área de cultivo da coca, que a nível mundial só se produz na região andina, era de 160.000 hectares em 2010 segundo a UNODC. A superfície cultivada na Colômbia foi de 64 mil hectares em 2011, a do Peru 60.000 em 2009 e a da Bolívia 31.000 em 2010, de acordo a esta mesma fonte.
Os especialistas coincidem em assinalar que por melhorias tecnológicas que adotam os produtores, agora se obtêm mais folhas de coca por hectare cultivado que anos atrás e também que por inovações no processamento, agora se obtém mais “massa” de cocaína com menos folha de coca.
Nos últimos anos houve uma mudança relevante no destino final da cocaína. Em 1998, o mercado dos Estados Unidos consumia 267 toneladas e o da Europa sozinho 63 toneladas, mas 10 anos depois, em 2008, o primeiro consumia 165 toneladas e o segundo, 124.
Há especialistas que estimam que para 2012 se consumirá praticamente a mesma quantidade de toneladas em ambos os lugares e que esta poderia rondar entre as 150 e as 160 toneladas. As estatísticas mostram que se reduz o nível de consumidores nos Estados Unidos e cresce na Europa.
A cocaína que vai à Europa é transportada de maneira direta da América do Sul, via Venezuela e Brasil, mas cerca de 90 por cento das 160 toneladas que ainda consome o mercado dos Estados Unidos seguirá passando pelo México. Sua condição de fronteira o faz ser passagem obrigatória. O resto são apenas discursos.
Twitter: @RubenAguilar






















