América Latina IDH

Os melhores países para se viver na América Latina. O desenvolvimento humano na região, na Espanha e em Portugal

Infolatam
Madri, 2 agosto 2012

Las claves

  • O Chile é o país que mais se aproxima ocupando o posto 44 no ranking mundial. No gráfico podemos observar a comparação e evolução desde 1980 de países como Espanha, Portugal e a Noruega, país que ocupa o primeiro posto no ranking mundial do IDH 2011.

O crescimento do PIB na América Latina foi espetacular a partir de 2002 e a diferença da evolução da Espanha e de Portugal é notável como pode ser visto no seguinte gráfico baseado em dados da World Bank National Accounts data, e da OCDE National Accounts data files.

Crescimento GDP na América Latina. Anos 2001-2011

Entretanto, nesta época em que Espanha e Portugal, além de outros países europeus, têm uma gravíssima crise econômica e precisam de resgate após resgate, não convém esquecer que o bem-estar de um país é algo mais que o PIB, o prêmio de risco baixo e a dívida soberana ao mínimo. O bem-estar tem bem mais a ver com o desenvolvimento humano e o IDH (índice de desenvolvimento humano). O IDH elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento(PNUD) mede mais coisas que a simples riqueza monetária. É uma medida que reflete os lucros médios de um país em três dimensões básicas de desenvolvimento humano: uma vida longa e saudável (saúde), acesso ao conhecimento (educação) e um nível de vida digno (rendas). O IDH da América Latina e Caribe como região passou de 0.582 em 1980 a 0.731 da atualidade. Na Espanha, o IDH em 2011 era 0,878 e em Portugal 0,809.

Os dados para calcular o IDH são obtidos de Organismo Internacionais qualificados como o Banco Mundial, a OMS, ou dos Escritórios estatísticos nacionais.A disponibilidade de dados determina a cobertura de países do IDH. Estes são os principais dados sobre os quais se se obtém o índice:

1) Esperança de vida ao nascer (Departamento de Economia e Assuntos Sociais da ONU)

2) Acesso ao conhecimento (Consta os anos de educação média (dos adultos) e os anos esperados de instrução (das crianças))

3) Rendas INB per capita (USD PPA)

Componentes do IDH

Apesar do crescimento econômico na América Latina nos últimos anos, a distância com o bem-estar da Espanha ou Portugal é ainda notável em muitos casos. O Chile é o país que mais se aproxima ocupando o posto 44 no ranking mundial. No gráfico podemos observar a comparação e evolução desde 1980 de países com a Espanha, Portugal e com a Noruega, país que ocupa o primeiro lugar no ranking mundial do IDH 2011.

Evolução do IDH na América Latina anos 1980-2011.

Por que Cuba se situa no quinto lugar do IDH da América latina? Cuba á um país ideal para se viver?  A análise do desenvolvimento humano não é perfeita. Não mede a implantação dos direitos humanos, nem tira pontos por manter a pena de morte, nem valoriza o sistema democrático. Por outro lado há que reconhecer que em Cuba a educação e o acesso à atenção sanitária são dois temas de interesse estatal. Estes dois aspectos têm importante pontuação para o IDH, mas deveria haver uma correção que contemplasse o sistema de liberdades dos indivíduos. Cuba então cairia muitos lugares no ranking.

Ainda que, sem dúvida, um dos pontos essenciais para viver bem em um país é a atenção sanitária. Se a despesa em saúde pública é importante, nosso bem-estar está bastante assegurado. Chile, Argentina e Uruguai seguem acima dos outros países latino-americanos, ainda que distante dos europeus ou dos Estados Unidos:

Gasto público em saúde na América Latina em relação à renda per capita

É claro que os países com um importante crescimento e um alto PIB nemo sempre são os melhores para se viver. Muitos países têm INB per capita altos, mas indicadores de desenvolvimento humano baixos e vice-versa. Inclusive alguns países com INB per capita similares têm níveis muito diferentes de desenvolvimento humano. Por exemplo, o Uruguai tem uma renda per capita muito menor que Bahamas, mas um desenvolvimento humano maior. As comparações do Chile com Baherin, do Brasil com Oman ou do Espanha com Singapura são similares:

Comparativo de indicadores de IDH e GNI per capita. Exemplos da América Latina.

Se as desigualdades econômicas e sociais são muito altas, ou se o saneamento e a educação não são boas, esses países só são recomendáveis para as pessoas privilegiadas com altos índices de renda. Se, ademais, a taxa de desigualdade e de pobreza se aplica a uma enorme quantidade da população como é o caso do Brasil, veremos que há ainda uma grande quantidade de pessoas de que vivem ali em péssimas condições devido a sua falta de dinheiro, ou de formação, de estudos, etc. Ainda que neste momento o Brasil seja um lugar de oportunidades, especialmente para espanhóis e portugueses de alta formação profissional. E sem dúvida é um dos países mais interessantes para se investir como mostra este gráfico com a evolução dos investimentos nos mercados emergentes desde 2001 ao 2011 publicado no Wall Street Journal em 2011:

Investimentos em países emergentes. Comparativo 2001-2011 (Tableau Public) Autor: John Lyons

Investimentos em países emergentes. Comparativo 2001-2011 (Tableau Public) Autor: John Lyons

Segundo o último relatório sobre Desenvolvimento Humano publicado em 2011, “Os países da América Latina e Caribe estão reduzindo as enormes desigualdades nas rendas, ao mesmo tempo em que tomam medidas para enfrentar o desmatamento e outras ameaças ambientais que poderiam deter o ritmo dos  avanços em desenvolvimento humano na região. Como é o grau de desigualdade na América Latina? A partir dos indicadores de Desenvolvimento Humano esse é o mapa da desigualdade (IDH-D) “O IDH ajustado pela Desigualdade (IDH-D) é um indicador do nível de desenvolvimento humano das pessoas de uma sociedade e que tem em conta seu grau de desigualdade. Em uma sociedade com perfeita igualdade, o IDH e o IDH-D têm o mesmo valor. Quando existe desigualdade na distribuição de saúde, educação e rendimentos, o IDH de uma pessoa média de qualquer sociedade será inferior ao IDH geral; quanto menor seja o valor do IDH-D (e maior sua diferença com o IDH), maior é a desigualdade.

Os países em azul mais escuro são os que têm maior desigualdade.

Mapa gráfico do índice de Desigualdade na América Latina

Em junho passado ocorreu a Cúpula Rio+20 em que se comentou a importância de promover um desenvolvimento sustentável na América Latina. O que significa fazer um esforço para diminuir o desmatamento, promover energias alternativas, melhorar a saúde pública e a educação, controlar as emissões de CO2 e prevenir as mudanças que se produzem como consequência da mudança climática. “O Relatório 2011 prevê que um aumento de 50 centímetros no nível de mar durante os próximos 40 anos poderia inundar as zonas costeiras de 31 nações da América Latina e do Caribe”.

Supõe-se que um alto crescimento, um alto desenvolvimento econômico e industrial leva acoplada uma maior produção de emissões de CO2.  Como diz o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2001 “os países desenvolvidos registram emissões per capita bem mais altas que as nações em desenvolvimento devido ao alto consumo de energia de suas atividades, como a condução de carros, o esfriamento ou aquecimento de lares e negócios, e o consumo de alimentos processados e empacotados, entre outros. O habitante médio de um país com IDH muito alto emite quatro vezes mais dióxido de carbono e o dobro de metano e óxido nitroso que as pessoas de países com IDH baixo, médio ou alto, e umas 30 vezes as emissões de dióxido de carbono que uma pessoa de um país com IDH baixo”. Mas, isto nem sempre é tão claro. Baseando-se nos dados de emissões em 2008 e comparando com o nível de crescimento se pode ver neste gráfico como países como o Uruguai ou o mesmo o Brasil tinham uma menos taxa de emissões que a Espanha que já então tinha escasso crescimento:

Emissões de Co2 per capita e crescimento do PIB na América Latina, Espanha e Portugal.

Como bem disse o Prêmio Nobel de Economia Amartya Sen  “O desenvolvimento humano, como enfoque, se ocupa do que eu considero a ideia básica de desenvolvimento: concretamente, o aumento da riqueza da vida humana ao invés da riqueza da economia na qual os seres humanos vivem, que é só uma parte da vida mesma”.

Ainda que definitivamente exista uma correlação entre a riqueza material e o bem-estar das pessoas, a correlação não se sustenta para todos os países. Viver no Uruguai, no Chile ou na Argentina pode ser muito agradável, mesmo não tendo tantas oportunidades de se fazer riqueza como em outros países da América Latina. Ainda que há que pensar que um importante crescimento econômico, unido a um crescimento no IDH, e além disso,do desenvolvimento da justiça, e da democracia farão de qualquer país um lugar ideal, como uma Noruega latino-americana.

Traduzido por Infolatam

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