Mujica: os uruguaios exigem-lhe melhor gestão

Infolatam
Montevidéu, 18 de julho de 2012
Por Nelson Fernández Salvidio

Desde a segunda metade dos anos noventa, José Mujica é um dos dirigentes políticos que consegue maior simpatia entre os uruguaios. Grande parte desse tempo esteve no topo das preferências, alternando com Tabaré Vázquez. Ambos são os dois homens da esquerda uruguaia que chegaram ao vértice do governo desse país. Sua popularidade diminuiu, mas segue sendo alta, entretanto isso não é suficiente para que os uruguaios o reconheçam como um bom presidente.

Assumiu no dia 1° de março de 2010 com um discurso conciliador, com clareza de objetivos políticos para seu mandato e com a oferta à oposição de buscar acordos amplos para concretizar obras de infraestrutura necessárias para garantir crescimento econômico, melhorias na segurança pública, na saúde e na educação – neste caso com forte ênfase- assim como para impulsionar um plano de moradias combinado com medidas de integração social para famílias em estado de extrema pobreza.

Os primeiros meses foram para desenhar um orçamento que contemplasse recursos para esses objetivos. E depois, ao momento das concreções, tudo tem sido lento, confuso, enredado…

Atualmente, o governo tem pouco para mostrar em matéria de obras, de lucros concretos de seu gerenciamento, de reformas concretizadas (ou encaminhadas).

Até esta quinta-feira, 19 de julho de 2012, se passaram 48% do período de governo, mas do prazo restante, há que descontar o trecho final de campanha eleitoral e o de transição a um governo seguinte, pelo que nos fatos, faltam tantos dias como passaram desta administração.

Criticam Mujica por falar muito, mas fazer pouco. O problema é que não só se trata de falta de ação, senão que ao falar, Mujica também tende a enredar propostas de governo, ou a anunciar planos que não tem acordado na interna e muito menos, definido realizar efetivamente.

As dúvidas sobre o gerenciamento vão crescendo e baixinho se expressam inclusive dentro de suas filas, por aqueles homens do governo que o acompanham de longo tempo, até de horas de luta revolucionária.

A economia se desacelera, e apesar vaivéns internacionais que condicionam a produção local, já se sabia que vinha como tendência local.

O próprio presidente Mujica havia advertido ao início de seu gerenciamento, que para seguir crescendo a taxas altas como nos anos anteriores, o Uruguai precisava incrementar sua infraestrutura. Para isso, se desenhou um plano inovador, que compreendeu uma lei que habilitar novo regime de associações do Estado com investidores privados. A essa lei a deram um verdadeiro caráter de urgência, com a expectativa que não só serviria para melhorar rotas, portos, logística, senão que teria também impacto social, com um cárcere novo e moderno que substituísse alguns centros de reclusão que mais que reabilitar delinquentes serve para especializar no delito e para aumentar o vício em drogas pesadas.

Mas, pouco se avançou nisso. Estão os recursos, esteve o interesse de privados inclusive estrangeiros para participar os negócios e financiar grandes obras, e esteve a tempo o marco legal para essas fórmulas. Mas, a posta em marcha do regime Participação Pública Privada (PPP) ficou estancada e ninguém explicou bem por que aconteceu isso.

O combate à insegurança, ao incremento de delitos, também foi fixado como prioridade, mas a mensagem sobre implementação de planos é muito confusa.

Nesta quinta-feira, 19 de julho, vence o prazo de “um mês de reflexão” que pediu o presidente Mujica sobre o aumento da violência, mas nesse período, o governo não organizou nenhm debate, nenhum foro, nenhum encontro de análise se que encaixasse nessa proposta do primeiro mandatário.

Houve sim um anúncio de um pacote de medidas de segurança, muitas das quais eram “de direita”, como se percebia no interior do governo por se focar em maior repressão policial e judicial, compensadas em parte com uma medida forte “de esquerda”, como a legalização da produção e comercialização da maconha.

A mensagem foi enredada e ficou focada na maconha, com um plano sumamente complexo que não chegou a se transladar em texto para sua discussão, e que em algum momento o próprio Mujica deu a entender que ficava pelo caminho. No entanto, não era assim. Ou sim.

Mujica aparece diante das pessoas como bem intencionado, preocupado com os problemas do país e com vontade de atendê-los e procurar uma solução. Aparece como um homem honesto que põe os interesses do país sobre os próprios e que não aproveita o poder para benefício das pessoas do seu meio.

Isso, as pessoas valorizam.

Mas também exigem que governe bem: que governe. Que deixe de um lado o estado deliberativo para tomar decisões e  executá-las. Que está bem que doe parte do seu salário para financiar moradias para os pobres, mas que as casinhas se vejam, e sejam habitadas. Exigem-lhe uma qualidade de “executivo”, que Mujica custa assumir.

Vai-se lhe o tempo, e muitas vezes suas opiniões públicas parecem emitidas por um dirigente político que não assumiu o cargo e a responsabilidade que tem. Isso, as pessoas notam.

A popularidade de Mujica, a expressão de simpatia dos uruguaios com sua pessoa, diminuiu um pouco, mas se mantém alta. Entretanto, a aprovação do seu gerenciamento caiu mais forte, e ficou em 40%, quase ao mesmo nível da porção dos uruguaios que desaprova seu trabalho como presidente. E nesses 40% se deve considerar a simpatia que gera, não tudo isso é expressão de avaliação positiva do que faz.

Resta a metade do mandato, para que o presidente uruguaio possa reagir e traduzir suas ideias a um plano de ação concreto e possível de implementar a tempo. A metade do período para redefinir objetivos pontuais e uma estratégia para cumpri-los. Justo isso é o que mais custa a Mujica.

Em seu entorno político tem servidores públicos e dirigentes que podem ajudá-lo nessa tarefa. Tempo para fazê-lo, tem.

Traduzido por Infolatam

Um comentário a “Mujica: os uruguaios exigem-lhe melhor gestão”

  1. viorginia dijo:

    Mujica e o melhor presidente que tem Ururguay sou ururguya moro na Curitiba pero AMO mi pais su gente y somos mayoria para apoyarlo ARRIBA EL PEPE

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