Rubén Aguilar Valenzuela: México presdenciais 2012

A derrota do PRD

Infolatam
México, 12 de julho de 2012
Por Rubén Aguilar Valenzuela

Uma vez mais Andrés Manuel López Obrador fracassou em sua tentativa de conseguir a presidência da República. Não está claro se irá a uma terceira tentativa como já fez Cuauhtémoc Cárdenas ou no Brasil Lula que ganhou na quarta ocasião em que se apresentou como candidato à presidência. O fato é que pela segunda vez o perredista não conseguiu convencer a maioria dos votantes.

Não há dúvida que López Obrador avançou ao longo das semanas de campanha, mas ter reduzido seus negativos e aumentado sua intenção de voto em torno de oito pontos, não foram suficientes, apesar da queda de Josefina Vázquez Mota, para atingir Enrique Peña Nieto que ao longo da contenda perdeu cinco pontos.

O PRD terá que avaliar o que aconteceu e decidir se chegou a hora de propor outro candidato, mesmo que falte ainda seis anos, ou na contenda de 2018 voltará a ser López Obrador. Uma primeira conclusão é que a mudança de atitude de um candidato radical a um conciliador deu resultado em um setor da população, mas a maioria não terminou por crer em sua transformação.

A plataforma programática de López Obrador permaneceu sem mudanças e cada vez parece estar mais longe de responder às tendências mundiais e às novas exigências da realidade do país. No fundamental sua proposta, onde nunca estiveram presentes os verdadeiros como, segue a linha do “nacionalismo revolucionário” do presidente Luis Echeverría, aí estão os textos para provar.

O país demanda uma esquerda real, moderna e pragmática, e não uma que se refugie em velhas ideias priístas, recusadas por esse mesmo partido, que recolheu um grupo de ex-priistas, ao qual pertence López Obrador, para fundar uma nova alternativa. Se ele tivesse proposto, por exemplo, a política petroleira do Brasil ou da Noruega, teria mais votos, mas também se anunciava que imitaria a política fiscal do governo socialista de Ricardo Lagos no Chile, ao invés de dizer que não aumentaria os impostos.

Só o PRD pode decidir o caminho a seguir, mas se quer ser convertido em uma alternativa ganhadora deve ser desfeito de uma boa parte dos quadros que hoje continuam na direção nacional e nos estados e da aliança com forças políticas também herdeiras do “nacionalismo revolucionário” priísta como Movimento Cidadão (MC) e o Partido do Trabalho (PT), que a adotou depois.

Há uma nova geração de perredistas, notavelmente Miguel Mancera, que arrasou no Distrito Federal, mas também Mario Delgado, Armando Rios Piter e Marcelo Ebrard, que demonstraram ser uma esquerda que não provoca rejeição e sim atrai a simpatia e o voto de setores bem mais amplos dos que até agora têm votado pelo PRD. Tudo indica que esse PRD sim tem futuro.

Twitter: @RubenAguilar

Traduzido por Infolatam

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