Mercosul
Uruguai: Astori volta a criticar entrada da Venezuela no Mercosul
Infolatam/EFE
Montevidéu, 09 de julho de 2012
Las claves
- Em tom fora de seu padrão, o vice-presidente uruguaio, responsável pela equipe econômica do governo uruguaio e que foi rival de Mujica nas eleições internas da Frente Ampla, anteriores às eleições gerais de 2009, considerou necessário expressar sua contrariedade por esta decisão e reafirmou que ela representa a "ferida institucional" mais grave sofrida pelo Mercosul em sua história.
O vice-presidente uruguaio, Danilo Astori, voltou a criticar duramente nesta segunda-feira a decisão do presidente José Mujica de aceitar a entrada da Venezuela no Mercosul sem a aprovação do Paraguai, depois de ambos polemizarem sobre o assunto na imprensa.
Em artigo publicado no portal “Uypress”, de Montevidéu, Astori considerou negativo para a região, para o Uruguai “e inclusive para a Venezuela” a entradado país caribenho no Mercosul ”decidida na cúpula realizada em Mendoza pelos presidentes de Argentina, Brasil e Uruguai, desconhecendo a institucionalidade vigente”.
Em tom fora de seu padrão, o vice-presidente uruguaio, responsável pela equipe econômica do governo uruguaio e que foi rival de Mujica nas eleições internas da Frente Ampla, anteriores às eleições gerais de 2009, considerou necessário expressar sua contrariedade por esta decisão e reafirmou que ela representa a “ferida institucional” mais grave sofrida pelo Mercosul em sua história.
Assim, Astori se perguntou em seu artigo o que aconteceu durante a Cúpula de Mendoza para que Mujica mudasse a posição contrária da delegação uruguaia “até o último momento” em relação à entrada da Venezuela sem a votação do Parlamento paraguaio.
“O que mudou durante a cúpula para reverter a posição da delegação uruguaia?”, perguntou Astori.
O vice-presidente assinalou que quando Mujica reconheceu publicamente que tinha tomado a decisão de aceitar a Venezuela por motivos políticos, ao mesmo tempo aceitou “explicitamente” que não foram levadas em conta “normas legais e institucionais”.
“O maior e mais grave retrocesso que o Mercosul sofreu em toda sua complexa história. Agora a única institucionalidade válida não é a dos tratados, não é a dos mecanismos que protegem a todos e que exigiram longas e trabalhosas negociações. Agora dependemos das decisões dos presidentes dos países”, lamentou Astori.
O vice-presidente insistiu que a resolução dos presidentes “pode ter grandes consequências no futuro”, como deixar uma “institucionalidade tão fraca a ponto de não servir para nada”.
Assim, Astori apontou que “o enfraquecimento da institucionalidade do Mercosul” só favorece “a seus adversários”, que “por razões políticas e ideológicas estão contra o projeto e um processo de integração latino-americana mais ampla”.
“Não é um capricho formal, não há nenhuma contradição entre a legalidade e a política. Ao contrário. O que é bom lembrar – porque tem a ver com as profundas definições democráticas da esquerda – é que não se pode, não se deve, subjugar a lei pela política”, destacou.
Na semana passada, Mujica respondeu às primeiras críticas de Astori dizendo que seu vice está equivocado ao dizer que a entrada da Venezuela é uma “ferida letal” para o bloco.
“Não é nada letal; letal é como estávamos antes. Faz 20 anos que dizemos que o Mercosul não avança e, se não avança, é preciso mudá-lo. Queremos um Mercosul para continuar criticando-o? Não”, disse o líder.
No dia 29 de junho, durante a cúpula do Mercosul em Mendoza, na qual o Paraguai foi suspenso do bloco até as eleições previstas para 2013, os presidentes resolveram agregar a Venezuela ao mecanismo regional e definiram que sua incorporação será concretizada em reunião especial que será realizada no dia 31 de julho, no Rio de Janeiro.






















