Rubén Aguilar Valenzuela: México presidenciais 2012
A volta do PRI
Infolatam
México, 03 de julho de 2012
Por Rubén Aguilar Valenzuela
A decisão da maioria dos eleitores, 38% dos mesmos, foi a de que o PRI voltasse à presidência do México. Este setor da sociedade pensa que o PRI deve agora tomar as rédeas do país.
O presidente eleito constitucionalmente, Enrique Peña Nieto, e seu partido devem ser conscientes e atuar, consequentemente, pautados em duas realidades: a de que foram eleitos por uma minoria de cidadãos e a de que existem dúvidas e temores sobre qual será o caminho que o PRI tomará (a restauração do velho regime ou seguir a renovação).
Na nova realidade do país, enquanto não existir o segundo turno, o presidente da República sempre será eleito por uma minoria. De acordo com o censo, o número é de 79 milhões de cidadãos. Desses, 32 milhões (38%) decidiram não exercer seu direito de votar e entre os 49 milhões que o fizeram, 62% votaram por Peña Nieto, ou seja, 18 milhões 630 mil. Apenas 25% do número de eleitores, de acordo com o censo.
Não existe nenhuma dúvida sobre a legitimidade do novo presidente, mas é necessário levar em conta que 60 milhões 370 mil cidadãos (75%) não votaram no atual presidente. Ele é obrigado a governar para todos e uma tarefa fundamental é assumir esta realidade e fazer o possível para que o projeto do governo, não o partido, ganhe esses cidadãos que são a maioria.
Apesar do país ser outro e que já não é possível voltar aos tempos da opacidade absoluta ou ao exercício do poder presidencial sem contrapeso algum, existem muitos cidadãos, são a maioria, que temem que o PRI caia em “tentação”, assim ouvi de alguns, de restaurar velhas práticas.
O novo presidente eleito, que tomará posse no dia 01 de dezembro deve saber disso para demonstrar que não existe lugar para essa tentação e que seu governo terá de continuar com o processo de aprofundamento e consolidação da democracia que o país vive desde 1997 e, de forma mais clara, a partir de 2000.
A contribuição do PRI para esse processo é evidente. Sem a atitude e as ações que tomou para criar, por exemplo, o Instituto Federal Eleitoral (IFE), autônomo e cidadão, e reconhecer sua derrota em 2000 e 2006, o país não estaria no caminho do amadurecimento democrático no qual agora se encontra, mesmo que muitos problemas ainda continuem presentes.
Tudo indica, assim declarou o presidente eleito, que está decidido a governar para todos e a seguir impulsionando as transformações democráticas que o país precisa, que implica em não voltar à história. Se o novo presidente e seu partido não concretizarem estas promessas, colocariam o país em uma dinâmica de tensão que ninguém deseja.
Twitter: @RubenAguilar






















