América Latina: representantes espanhóis destacam acerto da aposta pela região

Infolatam/Efe
Santander (Espanha), 27 de junho de 2012

Las claves

  • "Mais do que nunca se demonstra o valor da estratégia de diversificação do Banco Santander e como a aposta contínua nos países da região e na região em seu conjunto foi um sucesso", disse diretor-geral da Divisão América Santander, Javier Zabalza.
  • A região recebeu no ano passado US$ 153 bilhões, 10% dos fluxos mundiais de investimento estrangeiro. A Espanha é o segundo maior investidor mundial na América Latina, superada apenas pelos Estados Unidos.

Representantes políticos e empresariais espanhóis destacaram nesta quarta-feira o “sucesso” da aposta pela América Latina e as grandes possibilidades de investimentos e a troca comercial que a região oferece no contexto econômico atual.

“A comunidade ibero-americana é hoje mais do que nunca uma oportunidade coletiva”, resumiu a vice-presidente do Governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, ao abrir em Santander (norte da Espanha) o 11º Encontro Santander-América Latina, organizado pela Universidade Internacional Menéndez Pelayo (UIMP) e o Banco Santander.

Sáenz de Santamaría também ressaltou o interesse de seu Executivo em “renovar a relação com a América Latina superando velhos obstáculos”, “como a igualdade” e “o respeito mútuo”.

A América Latina se posicionou nos últimos anos “como um dos motores da economia global”, destacou por sua vez o diretor-geral da Divisão América Santander, Javier Zabalza, que se mostrou convencido de que a boa trajetória recente da região – que representa mais de 8% do PIB mundial – se manterá nos próximos anos.

“Mais do que nunca se demonstra o valor da estratégia de diversificação do Banco Santander e como a aposta contínua nos países da região e na região em seu conjunto foi um sucesso”, disse Zabalza.

O diretor afirmou que a instituição presidida por Emilio Botín está concentrada “em crescer” na América Latina, “não em vender”, e lembrou sua presença “relevante” em Brasil, Argentina, México, Chile, Peru, Porto Rico e Uruguai.

De acordo com sua estimativa, “o cenário previsto é que a região continue crescendo nos próximos anos a taxas de 4%”, mas Zabalza alertou para alguns riscos, como uma tendência muito negativa dos preços das principais matérias-primas ou o fechamento generalizado dos mercados financeiros globais.

No entanto, “há razões para pensar que a situação da América Latina continuará sendo positiva”, afirmou.

Esse otimismo se justifica, segundo sua opinião, pela pirâmide demográfica da região, o avanço das classes médias, a redução da pobreza, taxas de inflação muito controladas, endividamento em níveis moderados, um enorme potencial exportador e uma relevância crescente como foco de investimento estrangeiro direto.

A região recebeu no ano passado US$ 153 bilhões, 10% dos fluxos mundiais de investimento estrangeiro. A Espanha é o segundo maior investidor mundial na América Latina, superada apenas pelos Estados Unidos, uma economia dez vezes superior à espanhola, destacou a vice-presidente, que atribuiu essa circunstância “à profunda vocação ibero-americana” da Espanha.

No entanto, como destacou a conselheira delegada do Instituto de Comércio Exterior (ICEX), María del Coriseo González-Izquierdo, as exportações espanholas se concentram na zona do euro.

Segundo os últimos números disponíveis, correspondentes ao primeiro quadrimestre de 2012, do total das exportações espanholas, 65% foram para a União Europeia, frente a 5,8% para a América Latina.

“Isso evidencia a necessidade de diversificar nossas exportações”, disse González-Izquierdo, que destacou como “as empresas espanholas já estão se movimentando” tanto na Ásia como, “com grande interesse”, na América Latina.

As exportações latino-americanas aos países desenvolvidos, seus principais parceiros comerciais, caíram de 75% em 2000 para 61% em 2011, enquanto a Ásia-Pacífico aumentou seu peso de 2% para 13%, com a China como grande ator.

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