Não houve, nem haverá fraude

Infolatam

Por Rubén Aguilar Valenzuela

O presidente Vicente Fox (2000-2006), no marco da suspensão da comunicação com a imprensa que foi imposta pelo processo eleitoral, reuniu-se em particular com cerca de dez veículos, faltando apenas algumas semanas para a eleição presidencial de 2006. Os encontros, realizados em Los Pinos, tinham apenas o propósito de escutar como os jornalistas e acadêmicos viam a eleição. Nesse grupo encontrava-se a revista Nexos.

Na reunião, José Woldemberg, que era diretor da revista, e Héctor Aguilar Camín, um dos fundadores da publicação,  propuseram ao presidente que a decisão do Conselho Geral do IFE de não revelar, na noite da eleição, o resultado da contagem rápida, caso registrasse uma diferença menor a 1% entre o primeiro e o segundo lugar, daria lugar à desconfiança sobre o processo e provocaria conflitos.

Woldemberg e Aguilar Camín recomendaram ao presidente que, através do secretário do governo, na época Carlos Abascal, falasse com o presidente do IFE, Luis Carlos Ugalde, para ver se era possível reverter essa decisão, que anunciava tensões e problemas. Abascal falou com Ugalde, que  disse não estar em suas mãos o poder para anular o acordo do Conselho Geral, a máxima autoridade da instituição.

Em Los Pinos, no dia da eleição, foram instaladas dez telas  onde era possível ver o resultado das pesquisas. As empresas que realizaram a contagem fizeram dois cortes nesse dia. Ao final da jornada, os números de todas coincidiam e estavam na faixa de 0.40% e 0.60% de diferença entre o primeiro e o segundo lugar. O mesmo número obtido pela contagem rápida do IFE, que não foi divulgado, e  coincidiu com o resultado final da eleição, que foi de 0.52%.

O Conselho Geral do IFE aprovou que na eleição do próximo domingo seja informado o resultado da contagem rápida, que estará pronto às 21h. Este resultado, com um alto nível de certeza, dirá quem é o ganhador da eleição. Não é o dado oficial, que será divulgado na noite da segunda-feira, 02 de julho, quando o PREP terminar de operar, já com 98% das urnas computadas, que será, não há dúvida, o mesmo obtido pela contagem rápida no dia anterior.

Agora não haverá mais lugar para dúvidas e suspeitas. Em 2006 também não deveria ter existido. Nessa ocasião, quase um milhão de cidadãos vigiaram a instalação das urnas e a contagem dos votos. Seu trabalho foi impecável. O mesmo acontecerá neste domingo, quando mais de um milhão de cidadãos votarem. Eles, não o IFE, são quem vigia o processo e os que impedem a possibilidade da fraude.

Caso alguém argumente fraude no próximo domingo para anular o resultado da eleição, isso não terá cabimento. O sistema impede que essa situação ocorra. Em todo caso, a desqualificação do processo não virá do IFE, mas dos cidadãos, todos voluntários, que nesse dia se responsabilizam pela eleição e atuam como vigias. O melhor do sistema eleitoral mexicano é precisamente isso, que no dia do processo eleitoral os cidadãos zelam pelo mesmo.

Twitter: @RubenAguilar

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