Eleição, dia 70

Infolatam

Por Rubén Aguilar Valenzuela

A campanha presidencial caracterizou-se, mais do que qualquer outra, por uma boa quantidade de propostas programáticas. O caminho a percorrer ainda é muito, mas é necessário reconhecer o avanço tanto dos concorrentes como o realizado pelos meios de comunicação para dar conta das propostas.

Nas últimas três semanas a disputa ganhou em intensidade e também despertou um maior interesse entre os eleitores, tudo isso motivado por uma série de acontecimentos que tiveram relevante repercussão midiática.

De maneira particular destacam três: o surgimento do movimento estudiantil Yosoy132; as acusações por supostas relações de ex-goverandores do PRI com o narcotráfico e  a publicação no The Guardian de uma nota que há sete anos divulgado por Proceso.

O movimento universitário, que teve boa capacidade de mobilização e positiva cobertura da imprensa, se debate entre duas tendências: Uma que se propõe como política, mas apartidarista e outra, tem resultado majoritária, que se define contrária Peña Nieto e a favor de López Obrador.

A PGR iniciou a investigação, a partir da informação da DEA, de supostas relações e negócios com o narco pela parte de Tomás Yarrington e Eugenio Hernández, que foram governadores de Tamaulipas pelo PRI. O caso ocupou as primeiras páginas dos jornais por vários dias.

O londrino The Guardian divulgou documentos que provariam que a Televisa, quando Peña Nieto era governador, lhe vendeu uma série de programas e entrevistas, para gerar uma imagem positiva daquele que depois seria candidato à presidência.

Os três fatos obrigaram ou permitiram aos candidatos pronunciar-se sobre eles ou os utilizarem para golpear os concorrentes. As estratégias dos quatro não são muito diferentes, mas tiveram uma alteração por causa do ruído mediático que os fatos descritos provocaram.

Nesse marco todas as pesquisas, com exceção da Reforma, oferecem os mesmos números durante semanas com a única mudança na diferença na posição que Vázquez Mota e López Obrador ocupavam. O último passa a ocupar o segundo lugar e a primeira o terceiro. Quadri mantém os números que obteve após o primeiro debate.

A preferência bruta registrada pelas últimas pesquisas é 37.6% Peña Nieto; 22.3% López Obrador; 19.0% Vázquez Mota e 2.6% Quadri. Há 30 dias era 38.5% Peña Nieto; 21% Vázquez Mota; 19% López Obrador e 2.0% Quadri e há 60 dias 40.0% Peña Nieto; 21.5% Vázquez Mota; 18% López Obrador e 1.0% Quadri.

Os números não variaram apesar dos fatos referidos que tiveram boa cobertura midiática e provocaram intenso debate e inclusive mobilizações. Faltam 20 dias para a eleição. A partir do que aconteceu durante os 70 dias é difícil que ocorra uma mudança nas preferências. Porém, o espaço ainda está aberto para que uma mudança aconteça.

Twitter: @RubenAguilar

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