Viagem rei Juan Carlos da Espanha
Diplomacia Econômica Real
Infolatam
Por Federico Steinberg
Com o crescimento na Espanha em queda livre e uma delicada situação financeira na Europa, que obriga à zona do euro a avançar a integração política mediante uma união bancária para evitar o colapso do euro, as empresas espanholas buscam potenciar seu negócio no exterior para sustentar os lucros. Mas, como a Europa não cresce e na Ásia ou nos Estados Unidos sua presença ainda é residual (ainda que crescente),optou por intensificar sua ofensiva na região onde começou a internacionalizar-se há vinte anos: América Latina. E, para isso, optou em levar à frente da comitiva aquele que, tradicionalmente, tem sido seu melhor embaixador: O Rei Juan Carlos.
A viagem tem tanto objetivos econômicos como políticos. Abrir mercados; reforçar o compromisso investidor das empresas espanholas na região depois das expropriações da YPF na Argentina e da filial da Rede Elétrica na Bolívia; e melhorar o perfil da marca Espanha, dando um apoio à figura do Rei e também gerando uma nova narrativa sobre a crise da economia espanhola e o futuro do euro.
No plano econômico o objetivo é claro: aumentar a presença das empresas em uma das regiões mais dinâmicas do mundo. Muitos países latino-americanos estão crescendo a taxas chinesas e estão consolidando uma classe média emergente que, segundo estima o BBVA, crescerá em mais de 60 milhões de pessoas até 2020. Em um contexto de prolongada recessão na zona do euro em geral e na Espanha em particular, e onde o setor exterior aparece como o único motor do crescimento, não se pode desperdiçar um mercado que nos últimos anos tem permitido sustentar os lucros de muitas empresas do IBEX.
Porém, as primeiras paradas da comitiva empresarial nesta viagem (Brasil e Chile) servem também para mandar uma mensagem política: que as empresas espanholas continuam confiando na região e seguirão investindo, mas apenas naqueles países que respeitarem a segurança jurídica e as regras do jogo da globalização, que, por outra parte, são mais relevantes para as empresas espanholas (salvo Argentina). Assim, as apostas das empresas espanholas no Brasil, Chile, México, Peru e Colômbia, os países mais dinâmicos da região junto à Argentina, se redobrarão.
Por último, a viagem serve para reabilitar a imagem do Rei Juan Carlos na região. É sabido que o monarca é uma figura querida na região e que, além disso, é bem efetivo como embaixador. Esta viagem também serve para que tanto o Rei como os líderes empresariais possam gerar um discurso sobre a crise da economia espanhola e dos problemas da zona do euro bem diferente do discurso que os latino-americanos leem diariamente na imprensa, que ultimamente é um tanto quanto apocalíptico e, em algumas ocasiões, impreciso.






















