Sequestros e sequestros

Infolatam
Santiago, 30 de maio de 2012
Por Consuelo Ysart

Terminou a novela. O jornalista francês aventureiro, Romeo Langlois, acusado pelo ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe (2002-2010) de se identificar com o terrorismo numa mensagem do twitter, foi libertado pelas FARC após 32 dias em que chamou a atenção dos meios. A foto do jornalista mal barbeado falando pelo celular esteve em todos os meios, o vídeo dado como prova de vida também.

Romeo Langlois foi capturado no dia 28 de abril, quando acompanhava um contingente de militares e policiais numa operação antidrogas no selvagem departamento de Caquetá para obter imagens para um documentário e o grupo se viu surpreendido por uma ofensiva guerrilha. O confronto causou a morte de quatro militares.

O jovem jornalista reconheceu que sabia do perigo que corria: “um sabe a que se expõe quando faz este trabalho”, para depois explicar que não só tinha trabalhado acompanhando o Exército, mas também à guerrilha “nunca me quis muito o Governo, porque sempre tenho ido dos dois lados”.

No mês decorrido desde o sequestro à libertação se viveram dias intensos. A França exigia sua libertação, a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, quem assim como Langlois foi sequestrada pelas FARC e é de nacionalidade francesa, considerava “escandaloso” o sequestro; a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba voltou a ser protagonista por um momento ao aceitar o pedido das FARC para integrar a comissão que se propunha entregar o jornalista; o vice-presidente da Colômbia, Angelino Garzón exigia sua libertação imediata e sem condições e recusava como “um atropelo” e “uma ofensa” à liberdade de expressão o debate proposto pelos terroristas como requisito para a libertação.

Centenas de sequestrados pelos terroristas das FARC durante todos estes anos foram submetidos a um grande sofrimento, com o terrível pensamento de não saber se iam sair com vida dessa selva maldita.

Todo o mundo seguia com expectativa os acontecimentos, as FARC informaram num comunicado um dia antes que o jornalista cumprisse um mês em poder do grupo terrorista sua libertação para o dia 30 de maio, a Cruz Vermelha começou a preparar o operativo de resgate.  Enquanto se desenvolvia este vórtice de negociações, diálogos e declarações de governos e organizações, Langlois encontrava-se em algum lugar da selva com os terroristas das FARC, os mesmos que sequestraram militares, camponeses e políticos.

Centenas de sequestrados pelos terroristas das FARC durante todos esses anos foram submetidos a um grande sofrimento, com o terrível pensamento de não saber se iam sair com vida dessa selva maldita, sequestrados até por 20 anos, imaginando o sofrimento das suas famílias, que não tinham ideia se iriam revê-los com vida… sofreram também fisicamente: magros, doentes foram libertados uns poucos, resgatados outros e outros singelamente morreram e nunca mais os vimos. Não foi assim com o jornalista Langlois.

Langlois já conhecia o funcionamento dos terroristas, os seguiu durante um tempo: “não precisava esta experiência para conhecer bem o conflito nem a guerrilha”, afirmou o correspondente do France 24 e Le Figaro.”Nunca amarraram, me trataram como um convidado, me deram boa comida com o que tinham, foram muito respeitosos”.  Quem dera que todos os sequestrados pelos terroristas das FARC tivessem tido este mesmo tratamento e tivessem podido considerar o drama do sequestro como uma experiência não necessária.

Traduzido por Infolatam

Comente sobre este artigo

 

Mudar para a versão móvel