Capriles e seu paulatino posicionamento eleitoral

Infolatam
Caracas, 15 de maio de 2012
Por M.Teresa Romero

Nada fáceis foram os três meses de pré-campanha que leva o candidato opositor venezuelano Henrique Capriles Radonski. Mais duros ainda se preveem os cinco restantes de uma campanha incerta que oficialmente se inicia no dia primeiro de julho.

Efetivamente, Capriles teve que se mover em um clima cheio de rumores  e incertezas em torno da possibilidade de que o presidente Hugo Chávez não seja o candidato oficialista às eleições presidenciais do dia 7 de outubro, em vista da do câncer do qual padece, e que, inclusive, estas eleições não aconteçam por causa de seu diferimento ou de um golpe de Estado protagonizado pelo grupo de generais chavistas vinculados com a narco guerrilha, possivelmente acompanhados pelo grupo de civis mais radicais do governo.

Também o candidato das forças democráticas tem enfrentado  uma das estratégias eleitorais mais agressivas  e populistas entre as que o chavismo  desenvolveu em seus 13 anos de governo. Com um candidato debilitado fisicamente e ausente do país, o oficialismo  utiliza ao extremo os recursos humanos, financeiros, institucionais e midiáticos do Estado. Além do aumento do populismo e da despesa pública, incrementou  a retórica  agressiva e as condutas violentas efetuadas tanto direta como sorrateiramente, isto é, através das milícias e grupos bolivarianos afins.

Até o momento, o candidato Capriles, seus assessores brasileiros  e seu comando de campanha –ao qual já se integraram todos os ex-candidatos às primárias opositoras de fevereiro passado e os diversos partidos do mundo opositor- o fizeram muito bem. Em um trabalho unitário, têm seguido a estratégia de moderação e de rua (percurso a pé do candidato pelas principais cidades do país) pautada, e não caíram nas numerosas provocações do governo e seu candidato.

Esta estratégia está rendendo frutos e disso se dão conta, especialmente, os atos multitudinários aos quais comparece o candidato, inclusive naqueles dois que realizou na Colômbia para conquistar o voto da grande quantidade de venezuelanos que vivem lá na atualidade.

No entanto, as pesquisas ainda não refletem com exatidão esse posicionamento de Capriles. Apesar de que as sondagens mais fiáveis e profissionalmente sérias registram um paulatino aumento de sua popularidade, os maiores índices recaem no presidente-candidato Hugo Chávez.

Ainda que vários pesquisadores assinalem que o fenômeno do “ocultamento do voto”  esta distorcendo os resultados das sondagens de opinião pública, não cabe dúvida de que a estratégia populista e de vitimização em torno da figura de Chávez, bem como a de proporcionar medo, ansiedade e incerteza na população continua dando resultados ao chavismo.

Agora resta ainda um bom caminho por percorrer e veremos se a popularidade de um Chávez cada vez mais doente, no meio de uma situação nacional de crescente desarranjo institucional, moral e de ingovernabilidade, consegue se manter. A tendência é a baixa.

Traduzido por Infolatam

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