Nicarágua: Ernesto Cardenal ganha o prêmio Reina Sofía de poesia

Infolatam/AFP
Madrid, 3 de maio de 2012

Las claves

  • Cardeal, ganhador também do Prêmio Ibero-americano de Poesia Pablo Neruda 2009, é um poeta, sacerdote católico e defensor da teologia da libertação, em que se formou em universidades do México e Estados Unidos.

O nicaraguense Ernesto Cardenal ganhou nesta quinta-feira o Prêmio Reina Sofía de Poesia Ibero-americana de 2012, dotado com 42.100 euros, em reconhecimento ao conjunto de sua obra.

“É um autor de grande qualidade que não podia faltar a este prêmio”, disse o poeta Luis Antonio de Villena, porta-voz do júri, depois de se conhecer o nome do premiado, que rompe a tradição não escrita deste prêmio de alternar anualmente entre um autor espanhol e outro latino-americano, depois que no passado ano, o galardão fosse para a cubana Fina García Marruz.

“Não era justo que por motivos extraliterários alguém tão significativo na poesia do século XX ficasse fora” da premiação, explicou de Villena, para quem Cardeal, de 87 anos, é um poeta “comprometido e marxista” que tem escrito “poemas cosmogônicos de grande qualidade”.

“A este prêmio faltava o nome de Ernesto Cardenal, um grande poeta, com uma obra muito ampla, além de um dos grandes tradutores clássicos”, disse Jaime Siles, outro dos membros do júri, depois de se dar a conhecer o nome do premiado em uma coletiva de imprensa no Palácio Real de Madri.

Cardenal, ganhador também do Prêmio Ibero-americano de Poesia Pablo Neruda 2009, é um poeta, sacerdote católico e defensor da teologia da libertação, em que se formou em universidades do México e Estados Unidos.

A partir de 1954, levado por sua preocupação social, colaborou com a Frente Sandinista de Libertação Nacional, sob cujo governo foi nomeado ministro de Cultura até que em 1987 se fechou o ministério.

“Sua poesia é reflexo de seu radicalismo pessoal através do qual denunciou o sofrimento e a exploração das chamadas repúblicas bananeiras, temática que centra seu canto nacional”, segundo a Universidade de Salamanca, que junto ao Patrimônio Nacional, organismo encarregado que gerencia os palácios e monumentos cedidos pela Coroa espanhola, outorga o Prêmio Reina Sofía de Poesia.

O prêmio, que se outorga anualmente, tem por objetivo reconhecer “o conjunto da obra de um autor vivo que por seu valor literário constitui uma contribuição relevante ao patrimônio cultural comum da Ibero América e Espanha”.

Entre os poetas que o ganharam figuram nomes como o chileno Gonzalo Rojas, o argentino Juan Gelman e o espanhol José Hierro, entre outros.

Traduzido por Infolatam

Comente sobre este artigo

 

Mudar para a versão móvel