O impacto Aponte
Infolatam
Por M.Teresa Romero
Ainda é tempo para avaliar toda a dimensão do impacto causado pelas declarações do ex-juiz do Tribunal Supremo de Justiça e ex-fiscal militar, Eladio Aponte, tanto para o chavismo, como para a oposição e toda a sociedade venezuelana. Foram as mais graves que foram repercutidas pela imprensa nacional e internacional durante o governo de Hugo Chávez, principalmente porque tocam em temas como a corrupção e a manipulação política nos atuais poderes judicial, moral e executivo, e também denunciam as relações entre o governo de Chávez, em particular o Alto Comando militar, com grupos de narcotraficantes e guerrilheiros.
No entanto, o impacto imediato mais importante deste escândalo, como aponta o político Teodoro Petkoff, tem sido a desmoralização do chavismo e a criação de um clima nacional de decadência governamental, o qual se potenciou pela ausência do presidente Chávez do país por causa do tratamento contra câncer em Cuba
A partir desse momento, o governo, como sempre, se apressou para reagir, ou seja, negou tudo e culpou o imperialismo por esta “nova conspiração”, abrindo com presteza ao que agora chamam “prófugo”. Acompanham a investigação com uma ordem tardia de captura, uma proibição de confiscar e congelar bens, bem como uma invasão de seu lar baseados em crimes menores.
O candidato presidencial Henrique Capriles Radonski e os demais dirigentes da Mesa da Unidade Democrática, já solicitaram uma investigação séria sobre os crimes confessados por Aponte, que incluem desde o presidente Chávez e o vice-presidente Jaua até funcionários que ocupam cargos menores. Os deputados opositores pediram diante da Assembléia Nacional a criação de uma instância especial que pesquise os motivos que levaram o ex-presidente da Sala Penal do Supremo a cometer tais delitos.
Diante da cada vez mais evidente politização da Promotoria Geral da República e do Tribunal Supremo de Justiça, a coalizão opositora assegurou que irá às Comissões de Direitos Humanos das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos.
Diversas organizações da sociedade civil também se mobilizaram. Importantes advogados criaram o movimento “Mãos limpas na Justiça” e os familiares dos presos políticos e os estudantes preparam manifestações de rua.
O escândalo esbarra e estende-se no meio da campanha eleitoral venezuelana. Mais do que isso, está longe de terminar como o governo quer.






















