O impacto Aponte

Infolatam

Por M.Teresa Romero

Ainda é tempo para avaliar toda a dimensão do impacto causado pelas declarações do ex-juiz do Tribunal Supremo de Justiça e ex-fiscal militar, Eladio Aponte, tanto para o chavismo, como para a oposição e toda a sociedade venezuelana. Foram as mais graves que foram repercutidas pela imprensa nacional e internacional durante o governo de Hugo Chávez, principalmente porque tocam em temas como a corrupção e a manipulação política nos atuais poderes judicial, moral e executivo, e também denunciam as relações entre o governo de Chávez, em particular o Alto Comando militar, com grupos de narcotraficantes  e guerrilheiros.

As confissões e denúncias são tão graves que o personagem principal preferiu se entregar à agência estadunidense DEA antes de ficar no país –talvez temendo uma morte imprevista, através de um atentato, como aconteceu com o General do Exército, Wilmer Antonio Moreno, figura bem próxima do governo e ex-Diretor da Direção de Inteligência Militar (DIM). Além disso, caso ocorresse um julgamento nacional ou internacional Aponte poderia ser convertido no ponto final do atual governo, assim como foram os famosos “vladivideos” para o governo peruano de Alberto  Fujimori.

No entanto, o impacto imediato mais importante deste escândalo, como aponta o político Teodoro Petkoff, tem sido a desmoralização do chavismo e a criação de um clima nacional de decadência governamental, o qual se potenciou pela ausência do presidente Chávez do país por causa do tratamento contra câncer em Cuba

A partir desse momento, o governo, como sempre, se apressou para reagir, ou seja,  negou tudo e culpou o imperialismo por esta “nova conspiração”, abrindo com presteza ao que agora  chamam “prófugo”. Acompanham a investigação com uma ordem tardia de captura, uma proibição de confiscar e congelar bens, bem como uma invasão de seu lar baseados em crimes menores.

O candidato  presidencial Henrique Capriles Radonski e os demais dirigentes da Mesa da Unidade Democrática,  já solicitaram uma investigação séria sobre os crimes confessados por Aponte, que  incluem desde o presidente Chávez e o vice-presidente Jaua até funcionários que ocupam cargos menores. Os  deputados opositores pediram diante da Assembléia Nacional a criação de uma instância especial que pesquise os motivos que levaram o ex-presidente da Sala Penal do  Supremo a cometer tais delitos.

Diante da cada vez mais evidente politização da Promotoria Geral da República e do Tribunal Supremo de Justiça,  a coalizão opositora assegurou que irá às Comissões de Direitos Humanos das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos.

Diversas  organizações da sociedade civil também se mobilizaram. Importantes advogados criaram o movimento “Mãos limpas na Justiça” e os familiares dos presos políticos e os estudantes preparam manifestações de rua.

O escândalo esbarra e estende-se no meio da campanha eleitoral venezuelana. Mais do que isso, está longe de terminar como o governo quer.

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